quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Contos: Apenas mais um pedaço de papel...

Um pedaço de papel... Apenas mais um pedaço de papel... E nada a dizer. É como se eu me sentisse completamente vazio. De certo modo, até poderia estar.

Estava firme, me mostrava confiante. Mas na realidade, confuso. Olhava por intermináveis minutos aquele simples pedaço de papel. Era completamente e imensamente dificil dizer sobre aquilo. Não queria pronunciar nenhuma palavra no momento.

Não podia, não deveria, eu não o fizera. Simplesmente enfiei de qualquer maneira o papel no bolso, acendi mais um cigarro e continuei caminhando na rua. As cores pareciam outras. Era tudo completamente diferente ao meu ver.

Eu caminhava num ritimo calmo, mas não vagaroso. Me sentia normal, isso era estranho demais para uma pessoa cheia de emoções e sentimentos. Joguei o cigarro na sarjeta e atravessei a rua prestando atenção em cada detalhe como se fosse uma criança que acabara de vir ao mundo.

Tudo virava novidade aos meus olhos, era como se estivesse despertado de algum sonho. Sim, eu acordei pra vida!.... após olhar um simples pedaço de papel. Isso é realmente estranho, mas de alguma forma havia mudado.

Sentei num banco em uma praça, acendi mais um cigarro e retirei lentamente o papel do bolso. Estava todo amassado... mas que droga! Realmente sou descuidado demais com as minhas coisas.. Lia cada palavra escrita no papel com a maior atenção. O traço, a pressão exercida pela caneta, a cor e a textura do papel.. Era de extrema importância naquele momento.

Abaixei a mão que segurava o papel. Segurava o papel com uma certa força para impedi-lo que voasse com o vento que fazia. Era uma fria tarde de Julho e tudo parecia tão cinza. Olhava para o nada sem conformar-me com a situação e repetia em silêncio, "Mas como?"

Realmente não parecia, mas aquele papel dizia tudo. Era o que me deixava tão intrigado. Acendi mais outro cigarro. Eu estava realmente nervoso ou era falta do que fazer? Não, não sabia a resposta pra metade das perguntas que vinham a cabeça naquele momento. Voltei a olhar o papel e enfiei-o no bolso novamente. Comecei observar as crianças correndo pela grama no meio a tantas folhas secas no chão... Não, realmente não era aquilo. Só de pensar minha mão ficava extremamente fria, minha cabeça doia e meu interior ardia. Era perturbador.

Meio que desconexo, me dei conta que havia uma bela moça bem vestida ao meu lado. Morena, alta, de cabelos compridos e face de anjo. Mas se prestando atenção nela, não se via nada de encantador nos seus olhos... Será? Não pode ser. Diga que eu estou enganado!

Levantei calmamente e a moça me seguiu com os olhos. Me dirigi a uma direção oposta a que estava. Andando firmemente, senti um gesto vindo dela, mas não olhei para trás. Peguei o papel do bolso e o amacei. Atirei-o ao chão. Nisso, a moça se levantou também, e automaticamente olhei para trás. Ela estava lá, com o papel na mão... Olhei para a frente e continuei meu caminho. E dentro de mim todas as dúvidas se confirmaram.














Não havia nada de doçura em seus olhos... Eu não queria acreditar naquele pedaço de papel.

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